As grades da mente e suas consequências em mim



Durante grande parte da minha vida tive um histórico de desentendimentos com meu pai. Ele é machista extremo, me criou na tentativa de que eu me fechasse no mesmo mundo que ele. Fiz poucas coisas que adolescentes realmente fazem antes dos 18 anos. Viagem com meus amigos e festas de 15 anos foram coisas da minha imaginação.

Por essas e outras coisas, insisti tanto em sair de casa quando pude. Nunca fui uma menina inconsequente, nunca cheguei bêbada em casa nem namorei mil caras pra que meu pai confiasse em mim. Mas por algum motivo, meu pai nunca acreditou em mim, e, desculpe o desabafo, mas me magoa muito isso todos os dias.

E foi assim durante uma grande parte da minha vida: eu lutando por coisas que meu pai me disse que nunca ia conseguir. Foi assim quando queria estudar Arquitetura ou passar numa Universidade Federal, foi assim todas as vezes que comecei alguma atividade física ou dieta, ou quando comentei sobre namorar: incentivo zero e pessimismo extremo.

Hoje, como vocês sabem eu estou estudando arquitetura numa universidade federal, mas ainda tenho muitas vontades que não recebo incentivo nenhum. Sonho em fazer um intercâmbio, viajar pra fora, mas por enquanto são coisas completamente impossíveis, já que eu dependo financeiramente do meu pai, que nunca apoiaria a ideia.

O que eu mais gostava quando trabalhava era a possibilidade de fazer as coisas que eu queria. Fazia academia, e estava juntando uma grana pra viajar. Mas minha fobia em sair de casa me fez ir pra Federal. Não reclamo, foi a melhor coisa que aconteceu pra mim, mas acabei só transferindo o problema de lugar. Antes eu não tinha a chance de fazer o que eu queria, mas tinha a oportunidade de conseguir. Hoje, eu posso fazer o que quero, mas não tenho chances de conseguir. Pelo menos não nos próximos 4 anos.

De vez em quando eu fico triste, porque sei que todo o incentivo que eu nunca recebi, meu irmão mais novo recebe. Fico contente por ele, mas triste por mim. Tem dias que me pergunto se fiz algo de errado, mas sei que não fiz. Então esquentar a cabeça por que?

Porque eu não desisto de realizar meus sonhos.

Não me conformo com o fato de eu ter o mundo inteiro e não poder ter acesso a ele por mentes arcaicas. Não aceito as imposições que colocam sobre mim. Não aceito rótulos prontos. Não quero ser uma pessoa que toma antidepressivo. Eu não me perdoaria jamais por ter desperdiçado minha juventude sem histórias ou sem fazer o que eu gostaria de me lembrar.

Quero lembrar que tudo tem um começo. Tudo na vida que acontece de verdade tem uma primeira vez, um primeiro dia. Em alguns casos o melhor, em outros o mais difícil. Mas precisa de um pontapé inicial. Não adianta sentar e esperar as coisas acontecerem. Você tem que ter atitude o suficiente pra fazer acontecer.

Fazer acontecer. A chave que eu preciso é fazer acontecer.

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Um comentário:

  1. Parabéns pelo teu blog!
    Vem conhecer o meu:
    feitaparailetrados.blogspot.com

    Ka com K, também! rs

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