Por uma vida sem dramas desnecessários


Antes que todos cheguem com sete pedras, deixa eu me explicar. Sei que cada um sabe o que sente, e que ninguém de fora é capaz de medir sentimento nenhum, seja ele bom ou ruim. Já sofri por coisas que eu não deveria, mas que me serviram de aprendizado, de escudo pra coisas que um dia podem me fazer sofrer muito mais. 

O maior medo que sempre tive foi o de perder as pessoas que eu mais amo. Para mim, não existe pior sentimento do que se perder alguém que se ama. É inconsolável. Não tem volta. 

A última vez que eu chorei foi por causa dos meus nódulos. Sei que eles não me fazem mal, mas também sei que não me fazem bem. Eu teria todos os motivos do mundo para sofrer de medo, angústia, ansiedade. Mas onde esse drama todo me levaria?

De que adianta sofrer muito por algo que não se tem culpa? Até mesmo se tivesse. Sofrer por algo que já aconteceu deve ser temporário. Sofrimento não pode ser um estilo de vida, só uma etapa do processo de aprendizagem. 

Na vida, tive o prazer de conhecer pessoas muito fortes. Pessoas que não deixavam que os problemas as abalasse. Pessoas que tinham de tudo pra reclamar da vida que tiveram, mas optaram por lutar contra o destino e em busca da vida que queriam. E eu acho que elas estão mais do que certas. Dramas desnecessários não levam a nada. 

Tive a sorte dos meus pais poderem me dar tudo aquilo que eu precisasse como pessoa. Sempre tive comida na mesa, água filtrada, estudei em boas escolas, tive acesso a bons hospitais e aos remédios que eu precisei. Mas sei também que muita gente não teve a mesma sorte, inclusive pessoas próximas a mim. 

Ver duas realidades tão diferentes me fez pensar em como as pessoas fazem dramas desnecessários. Como as pessoas reclamam tanto da vida que tem, ou melhor, da que não tem. Me incomoda saber que algumas pessoas aproveitam o pouco tempo de vida que tem do jeito que podem, enquanto outras desperdiçam uma vida reclamando. 

Antes de sair por aí dizendo que a vida não tem solução, pense um pouco em como a vida foi gentil com você. Você tem saúde, comida na mesa, estudo, acesso aos meios de comunicação, luz, água. Você tem pessoas que ama perto de você. Quantas pessoas queriam estar no seu lugar? Abra sua mente. Você acha mesmo que ter ido mal numa prova, terminar um namoro ou não poder fazer tal viagem são motivos grandes o suficiente para parar toda a sua vida? 

Que tal deixar a vida te levar um pouco? Com o tempo você descobre que o destino tinha um plano melhor, além de aprender com o erro. É por essas e outras que eu digo sempre e mais uma vez: respira, e não pira, por uma vida sem dramas desnecessários. 

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Efeito Borboleta


Outro dia eu parei pra pensar qual meu filme favorito. Nunca tive um gênero de filme que eu gostasse mais. Quando eu tinha 13 anos, gostava daqueles filmes de amorzinho água com açucar. Passou um tempo e eu desacreditei no amor expandi minha mente e os filmes de aventura entraram na lista dos meus favoritos. 

Mas ainda não tinha achado o meu favorito. Até que outro dia assisti Efeito Borboleta pela milésima vez e tive certeza de que é esse o meu filme. Aí comecei a pensar os motivos.

Infelizmente (ou felizmente?) não tenho o poder de ficar indo e vindo do presente pro futuro, mas eu sempre penso nas milhões de vidas que eu posso ou poderia ter vivido, e nas consequências que cada uma delas me traria. Obvio que tudo é uma imensa suposição que eu nunca saberei se seria da forma como eu imaginei, mas a imaginação existe pra isso. 

Eu poderia ter mudado tudo várias vezes. Tive todas as possibilidades do mundo para não estar aqui, neste momento. Eu poderia não ter mudado de escola no ensino médio, que isso teria mudado toda a minha vida, meus aprendizados e meu modo de pensar. Ou quando eu resolvi fazer faculdade de Turismo, quando decidi mudar dela, quando escolhi ir atrás do que eu queria pra mim, e do que achei que era melhor.

De vez em quando penso nas vidas que eu poderia ter vivido. Se eu estivesse terminado a faculdade de turismo teria conhecido o Canadá e trabalharia num hotel. Se eu estivesse ficado no Mackenzie estaria estagiando na prefeitura e juntando grana pra comprar meu carro. Se eu não estudasse na GV, seria mais tímida do que já sou. São vidas que eu não vivi, mas que mesmo na minha imaginação, eu não teria aprendido tanto quanto nos caminhos que eu escolhi que me levaram a vida que eu tenho hoje. 

O futuro é resultado de todas as escolhas que você fez na vida, mesmo que indiretamente. Por exemplo: meus pais se conheceram no Museu do Ipiranga, num domingo em 1992. Meu pai morava no bairro e corria lá todos os dias, de manhã. Minha mãe morava do outro lado da cidade e nunca tinha ido no parque. O único dia que meu pai correu no museu a tarde, foi coincidentemente o dia que minha mãe tinha folga e resolveu conhecer o museu. Se meu pai mantivesse a rotina e corresse de manhã, ou se minha mãe não tivesse folga naquele dia, ou tivesse escolhido outro dia pra ir ao museu, eu não existiria o futuro dos dois seria completamente diferente. 

Se isso é destino ou não, eu não tenho nem ideia. Mas um dia, lá na frente eu vou entender como cada escolha que eu fiz influenciou a ser quem eu sou. Enquanto o futuro não chega, a única certeza que eu tenho é que eu aprendi muito com os caminhos que escolhi, e cá entre nós, foram os melhores caminhos que eu poderia escolher.

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