Um texto difícil de ser escrito


Eu queria muito começar esse texto de outra forma, mas não tem como. Hoje depois do almoço minha mãe me ligou e me deu uma das piores notícias que eu poderia receber: o caso da minha avó não tem mais solução. 

Minha avó é uma das pessoas que eu conheço que é mais feliz. É difícil lembrar da minha avó e logo em seguida não lembrar da gargalhada dela logo atrás. Minha avó sempre foi uma pessoa muito viva. Adora sair, ir pro shopping, fazer compra na 25 de março, ir pra praia. 

Falando em praia, lembro da primeira vez que ela viu o mar. Foi lá na Praia Grande, quando meus pais tinham comprado um apartamento. Ela chorou. Sempre gostou muito de água, e achou o mar lindo. Eu também estive com ela na primeira vez que ela andou de avião. Ela ficou com medo, mas adorou a viagem. 

Dia 30 de Novembro ela foi internada. Fui o quanto antes eu pude, e vi ela sair da UTI, ir pra casa passar o Natal e logo em seguida voltar pro hospital. Vi ela piorar de novo. Depois vi ela melhorar. E dou graças a Deus de que no dia que eu voltei, ela estava bem, lúcida. Falei com ela que eu voltaria quando ela estivesse bem, no primeiro final de semana que ela já tivesse ido pra casa. E eu realmente acreditei que ela fosse. 

Mas depois disso ela piorou muito. Foi entubada, voltou pra UTI. E começaram os procedimentos que não pode fazer por conta desse outro problema. No carnaval, ela precisava ter feito cateterismo, mas tinha uma substância que afetaria os rins. Não fez. 

E agora, ela precisaria fazer hemodiálise, mas não aguentaria. O médico mandou avisar que não pode fazer mais nada. E é aqui que eu choro, que eu desmorono. 

Passei grande parte da minha vida esperando as férias chegarem pra poder ir pra casa da minha avó. Sempre tive um carinho sem precedentes por ela, e sempre terei. Sei que a morte faz parte da vida, mas apesar de todos os avisos, nos não estamos prontos e acho que nunca estaremos para nos despedir de alguém que amamos. 

De todos os consolos que eu tenho, só posso agradecer. Por todas as vezes que eu fui pra casa da minha avó, ou que ela foi pra São Paulo. Das vezes que eu pedi doce de leite e rosca e ela fez pra mim. De todas as histórias que ela me contava, e da gargalhada que ela tem. 

Sou eternamente grata a Deus por eu ter o privilégio de passar uma parte da minha vida com ela. E como infelizmente tudo o que está ao nosso alcance é esperar, eu espero e rezo. Rezo pra que ela tenha uma partida sem dor, na hora que Deus achar que deve. Rezo e acredito no milagre.

E por enquanto, só me resta rezar. 

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