Sobre aceitar quem somos e quem queremos ser

Melhor linha para cacheadas! @todecacho
Hoje vamos falar de aceitação, e vou contar pra vocês o processo mais difícil que eu passei pra me aceitar: minha relação com meu cabelo. Diferente do resto do mundo, eu não passei por uma transição capilar, ou muito menos psicológica. Parei de fazer progressiva em 2014 e desde então eu vivia com escova, até que obviamente a fonte esgotou. Não tinha grana pra fazer fora, e a escova que eu fazia em casa ficava bem ruim. O fim dos dias foi quando meu secador queimou e tinha o carnaval logo em seguida, em 2016. Fui na primeira perfumaria que eu encontrei, comprei um Yamasterol amarelinho, uma máscara para cabelo cacheado e um umidificador, e assim fui levando. Meu cabelo sempre embaraçou muito, e por alguns dias ainda é um processo bem doloroso pra mim. 

E de certa forma, sempre achei que esse deveria ser um processo de dentro pra fora, e eu não queria forçar isso. Meu cabelo passou por uma transição gradual. Ao parar de fazer progressiva meu cabelo foi voltando. Primeiro o volume, depois alguns cachos no meio de umas partes lisas. Mas nenhuma mudança que ocorresse de dentro pra fora.

Eu assistia as blogueiras de cabelo e achava lindo nelas. Como só o meu cabelo não ficava daquele jeito? Por que era tão difícil lidar com meu cabelo?

Essa fase, coincidiu também com a fase mais difícil da minha vida. Depressão, ansiedade, problemas em todas as áreas da minha vida caindo sobre mim. A minha transição gradual aconteceu, na verdade, durante o período que eu desisti de mim, aconteceu de fora pra dentro e talvez isso explique muito mais do que qualquer coisa.

Eu passei por um processo de desconstrução intenso, duas vezes. A primeira, pra entender o que me levava a não gostar do meu cabelo: se era questão cultural, o bullying que sofria quando era criança, ou se era por não saber cuidar direito. A resposta era um pouco de tudo: a sociedade por muito tempo pregou que o cacheado era "desarrumado", eu sofri muito quando criança quando era chamada de alguns péssimos apelidos dados por conta do meu cabelo e eu vivia com ele preso, me sentindo menos bonitas que as outras meninas, que andavam com os cabelos soltos e tudo mais. Entender essas questões me fez compreender os motivos que me levaram a alisar o cabelo e a compreender que eu precisava aprender a cuidar do meu cabelo e a ver ele de outra forma.

Em 2018, eu vivia um dilema. Eu me entendia com meu cabelo, mas não amava ele igual as pessoas ao meu redor. Eu aprendi a cuidar melhor do meu cabelo, e apesar de ainda embaraçar muito e eu detestar isso, meu cabelo tinha vários dias bons e bonitos. Mas não me adaptei a day afters, e lavar o cabelo todo dia também quebrava ele e era inviável. E eu me sentia mal por não gostar do meu cabelo como as pessoas gostavam. Ele era lindo quando arrumado, mas o processo me cansava muito, e me fez relaxar com meu cabelo. Quando eu era cacheada, me sentia culpada por querer ser lisa, e quando eu fazia escova, me sentia culpada por não querer ser cacheada.

Ano passado, decidi que eu insistiria até me sentir realmente bem com meu cabelo.  Eu decidi que só mexeria no meu cabelo quando eu ficasse bem e muito feliz com ele, aí escolheria se eu mudaria mesmo ou não, e isso aconteceu depois das fotos na roda gigante. E foi aí que eu comecei outro processo de desconstrução: o de aceitar as minhas vontades, mesmo quando elas contrariam o que as pessoas prezam. Nas fotos da roda gigante eu sabia que me amaria da forma que fosse. Se eu nunca pudesse alisar, saberia lidar com o meu cabelo, e se eu quisesse alisar, sei que meu cabelo estará lá me esperando quando eu quisesse voltar.

Pessoas criticam a gente o tempo inteiro. O que fazemos, onde vamos, o que usamos. Sendo que nada disso é da conta delas, a não ser que faça algo a alguém. Meu cabelo nunca fez mal a ninguém, seja ele liso, cacheado, loiro ou moreno. No dia da roda gigante, eu fiquei muito feliz, porque sabia que qualquer decisão que eu tomasse a partir dali, seria de consciência tranquila. Eu aprendi a me aceitar em qualquer versão. E me aceitar em qualquer versão, me ensinou que eu não preciso gostar disso o tempo inteiro e que mudar é normal. Faz parte do processo, desde que eu queira isso.  Afinal, de nada adianta a gente sair da ditadura do liso, pra entrar na ditadura do cacheado. E é a mesma coisa para outras áreas da vida, como a saúde física do corpo ou sua vida profissional e amorosa.

Ontem, postei uma enquete no insta sobre meu cabelo loiro e meu cabelo cacheado. Postei na brincadeira e foi muito legal ver como a forma que eu sou, me faz feliz e não importa o quanto as pessoas critiquem isso. Sobre o meu cabelo, de 60 respostas, só uma apoiou a forma como ele está hoje. Mas a resposta mais importante não estava na pesquisa: a minha.

Eu desejo que você se ame do jeito que é, mas se sinta livre pra ser quem você quiser ser, e se ame do outro jeito também. 

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